tuk tuk no Camboja
Camboja

Camboja – O que Saber Antes de Ir

É muito fácil o Camboja ficar na sombra dos seus grandes vizinhos como a Tailândia ou o Vietnam. No entanto, é injusto visitar o Sudeste Asiático e deixar de parte este bonito país. Garanto-vos que vale a pena a visita. Só quem por lá passa percebe a sua essência e a sua magia, que reside, em grande parte, no seu povo e nas suas pessoas.

Se vêm de países europeus é muito fácil apanhar um choque quando se entra no Camboja, principalmente se nunca visitaram outro país dos intitulados “em vias de desenvolvimento”. Mas uma coisa têm de interiorizar: vocês não vão mudar o que é o Camboja. Têm de o aceitar. E assim que o aceitarem tirarão partido do melhor que ele tem para vos oferecer.

Qual a Melhor Altura para ir

O Camboja, tal como muitos dos países do Sudeste Asiático, tem períodos de chuva marcada durante o ano (época das monções), intercalado com períodos de calor extremo que pode facilmente atingir os 45ºC e deixar-vos com a sensação que pisaram o Inferno ainda vivos.

  • Novembro a Fevereiro: é considerada a época alta no sentido que é um período onde o calor é suportável e por outro lado, é a época mais seca, com menos chuva e com temperaturas mediterrânicas.
  • Março a Maio: é a época mais quente, em que os termómetros facilmente atingem os 40ºC.
  • Maio a Outubro: é um período mais cinzento e enublado, geralmente com muita chuva, mas também com bons descontos nos alojamentos à conta do tempo. Setembro costuma ser o mês mais chuvoso.
Praia do Camboja
Lazy Beach em Koh Rong Sanloem, uma ilha no Sul do Camboja

Como Chegar

Se partirem de Portugal ou de um outro país Europeu ou Americano, não encontrarão voos diretos para entrar no Camboja. É muito provável que as escalas façam parte do vosso caminho até lá. Naturalmente, quanto maior a escala ou o número delas, mais em conta ficarão os voos, que serão, sem dúvida nenhuma, o maior investimento da vossa viagem. Para terem uma noção, demorei 58 horas entre ter saído de Lisboa e ter aterrado em Phnom Penh, capital do Camboja.

Se já estiverem num outro país da Ásia, nesse caso, entrar no Camboja será “piece of cake”, com voos diretos e acima de tudo baratos. Também poderão entrar por terra, por comboio ou autocarro, mas perderão como é natural uma boa dezena ou duas de horas. A vossa escolha terá de depender maioritariamente da vossa prioridade na viagem: tempo ou dinheiro. A minha passagem pelo Camboja durou apenas uma semana, pelo que a minha prioridade era sem dúvida o tempo. Ainda assim, e como eu já referi, conseguem voos a preços acessíveis, por 20 ou 30 euros (versus 15 euros dos autocarros) pelo que a escolha em princípio não será difícil e conseguirão abranger ambas as prioridades.

É importante referir ainda que o Camboja tem três aeroportos: o de Phnom Penh (a capital), o de Siem Reap (a “casa” dos magníficos templos de Angkor) e o de Sihanoukville (porta para as praias que remetem ao paraíso).

Como Fazer o Visto

Para entrarem no Camboja terão de ter visto.

O visto tem uma duração de 30 dias, podendo ser feito online ou presencialmente, aquando da entrada no país.

O visto online pode ser feito em www.evisa.gov.kh, custa cerca de 33 euros e tem uma validade de 3 meses (podem entrar no Camboja até três meses depois de terem emitido o visto e podem permanecer lá por 30 dias no máximo). Foi aqui que fiz o meu visto e não só é uma mais valia no sentido que se poupa imenso tempo e evitas filas que não têm fim, como ainda é a opção mais viável que têm se entrarem no país por terra, de modo a não terem problemas.

O visto pode ainda ser feito presencialmente nos aeroportos de Phnom Penh ou de Siem Reap, aquando da chegada ao país, com o custo de aproximadamente 35 euros. Para isto necessitam de ter duas fotos tipo passe convosco e o vosso passaporte tem de ter mais de 6 meses de validade.

Quanto Tempo Ficar

Começo por vos dizer que fiquei uma semana no país, o que considero ter sido o tempo ideal para os três locais que pretendia visitar: Phnom Penh, a capital, situada aproximadamente no centro do país, Koh Rong Sanloem, uma ilha no Sul do Camboja e Siem Reap, no Norte do país, e porta de entrada para os templos de Angkor.

No entanto, sei que a estadia no Camboja depende muito de pessoa para pessoa. Isto porque é prática comum visitar apenas Siem Reap para aceder aos famosos templos de Angkor e depressa sair do país para entrar novamente nos países vizinhos. Mas também vos posso dizer que Camboja é muito mais que a beleza magnânima de Angkor.

Eu desde início que decidi que não ficaria apenas pelos templos, e que gostaria de conhecer mais a fundo o que que quer que o país tivesse para me oferecer.

Portanto, se o vosso objetivo for conhecer apenas o complexo de templos de Angkor, cerca de dois dias serão suficientes. Se quiserem conhecer estes três locais que eu conheci, considero que uma semana será o tempo ideal, mas se quiserem fazer trekking pelo norte ou visitar outros locais mais recônditos do país, então por certo terão de estender o tempo da vossa estadia.

Para terem uma ideia do que querem fazer, deixo-vos o meu roteiro em traços muito gerais aqui.

angkor wat no nascer do sol
Nascer do Sol visto no Angkor Wat

Como se Deslocar Dentro do País

Aqui teremos dois pontos a considerar: a deslocação dentro das cidades e a deslocação dentro do país, entre cidades.

Para o primeiro ponto, quanto à deslocação dentro de uma cidade, é importante referir que no Camboja não há transportes públicos. Deste modo, as maneiras mais populares de nos mobilizarmos dentro de um meio pequeno será ou a pé ou através dos famosos tuk-tuks, puxados a mota. Os tuk-tuks são amplamente usados e foi o método que mais usei para me deslocar em trajetos curtos, mas não tão curtos assim para serem feitos a pé.

Quanto à deslocação entre cidades, além dos autocarros e comboios, há a opção do avião se nos referirmos a Phnom Penh, Siem Reap e Sihanoukville, as três cidades do Camboja com aeroporto próprio. Estes voos intercidades são, ao que se pode considerar uma pechincha, tendo arranjado muitos deles entre os 10 e os 20 euros, preço por vezes, igual ao de um autocarro ou comboio (nem sempre, claro, mas com uma frequência considerável).

Se por outro lado te quiseres deslocar de comboio ou autocarro, o melhor site para fazeres a pesquisa e comprares com antecedência os bilhetes é a 12go.asia. No entanto, é bom também referir que se não quiseres comprar estes bilhetes com antecedência, há em cada esquina agências de vendas de excursões e bilhetes de autocarros que poderás usar. Mas atenção porque os preços podem estar muito inflacionados e poderá ser necessário uma boa dose de regateio.

tuk tuk no Camboja
Passeio de tuk-tuk em Phnom Penh, a capital do Camboja

Qual a Moeda

A moeda oficial do Camboja é o Riel Cambojano (1€ corresponde aproximadamente a 4900 riéis), mas por todo o lado se usam dólares americanos.

A verdade é que mesmo nos multibancos, em grande parte deles, ao tentarem levantar dinheiro, apenas o poderão fazer em dólares. Geralmente os riéis são apenas mobilizados para valores mais pequenos (o equivalente aos cêntimos) quando vos derem o troco de algum pagamento que façam. Por isso sim, ficarão com duas moedas diferentes na carteira o que por vezes dificulta as contas, mas é apenas uma questão de hábito.

É importante referir que quase todos os multibancos no Camboja vos cobrarão cerca de 4 a 5 dólares por cada levantamento como taxa fixa, independentemente do cartão que usarem para fazer o levantamento. Nem com o cartão Revolut ficarão imunes a esta taxa, mas terão a vantagem de não pagarem outras que pagarão com o vosso cartão multibanco comum. Por isto, e para pouparem em gastos desnecessários levantem logo a maior quantia possível que achem que vão precisar durante os vossos dias por lá, ou estarão constantemente a pagar taxas de levantamento. É importante referir ainda que uma grande parte dos vendedores no Camboja (por vezes alojamentos inclusive) não têm a opção de pagamento com multibanco pelo que devem contar sempre bem a quantidade de dinheiro que precisarão de levantar para cobrir todos os vossos custos.

Qual a Língua Usada

A língua oficial do país é o Khmer, mas também se fala inglês, chinês e francês em alguns locais.

Em Phnom Penh tive muita dificuldade em comunicar pois no geral as pessoas não sabiam outra língua que não khmer. Dei muito uso ao meu google tradutor para traduções português/inglês – Khmer. E funcionou!! Com jeitinho todos nos entendemos. Em locais mais turísticos como foi o caso de Siem Reap e das ilhas no Sul do Camboja (Koh Rong e Koh Rong Sanloem), o inglês já é mais difusamente usado e a comunicação torna-se mais fácil.

Cartões SIM e Acesso à Internet

É muito fácil encontrarem cartões SIM à venda por todos os cantos do Camboja. Eu comprei um no meu primeiro dia no país para poder ter dados móveis e aceder sem restrições ao google maps quando estava fora. Dentro dos alojamentos a grande maioria tem wi-fi embora nem sempre trabalhe tão bem quanto aquilo que nós gostaríamos, e como tal, muito frequentemente, usava os dados móveis também quando estava dentro de 4 paredes.

Para comprarem o vosso cartão SIM é necessário apresentarem o vosso passaporte. O meu era da operadora SMART e custou 2 dólares com dados móveis ilimitados para uma semana.

Segurança

Ao contrário do que aconteceu há não muitos anos, após o regime do Khmer Rouge, o Camboja é um destino seguro para os viajantes nos dias de hoje.

Ainda assim, para países como o Camboja é aconselhável fazer seguro de viagem antes de ir. Aqui podes ter 5% de desconto na compra do teu seguro de viagem IATI.

As pessoas não são violentas e na grande maioria das vezes não têm por objetivo magoar ninguém. No entanto são pessoas no geral muito pobres e como tal, se conseguirem aproveitar para conseguir algum dinheiro extra, de maneiras mais ou menos honestas, é isso que farão. Os roubos por puxão são comuns, principalmente quando as pessoas andam à beira da estrada ou viajam nos tuk-tuks. Um alvo comum são os telemóveis pelo que se for possível, devem evitar usá-los em público. Devem manter todos os vossos pertences o mais próximo possível junto a vós, principalmente quando andarem de tuk-tuk, para que não seja possível serem puxados por condutores de outras motas, pelas aberturas laterais que os tuk-tuks possuem.

A maioria dos esquemas, no entanto, são inofensivos e prendem-se maioritariamente com tentar cobrar uma comissão maior aqui ou ali ou levar mais uns dólares no preço do tuk-tuk. Um dos esquemas mais comuns é o das mães com filhos pequenos ao colo a pedir leite em pó. Pedem que os turistas vão à farmácia mais perto, e pedem um determinado leite em pó, geralmente o mais caro que se encontra à venda. O objetivo é voltarem à farmácia depois, devolverem o leite e reaverem o dinheiro, ficando muitas das vezes metade do lucro para o farmacêutico.

Outro ponto importante é que até nos países mais desenvolvidos não é a atitude mais sensata andar sozinho à noite em sítios com menos movimento e como tal, muito menos o é em países como o Camboja. Não é preciso ser paranoico, mas convém ser cauteloso.

Ainda há alguns khmers muito radicais no país, e alguns deles andam armados à procura de confusão. Se algum deles começar uma rixa contigo, por exemplo num bar ou num pub noturno, a melhor atitude é engolir o orgulho, sorrir e fazer por que o conflito termine. Não te esqueças que tal como eu referi, muitos deles têm armas consigo.

É importante ainda referir que a polícia cambojana não é uma fonte de transparência e como tal, torna-se tão boa quanto o dinheiro puder comprar. Tudo com eles vos pode custar dinheiro, até ao mais simples relatório policial.

Nas áreas mais remotas, é aconselhável manterem-se nas rotas marcadas porque devido aos conflitos pelo que o país passou há tão poucos anos, ainda há algumas minas terrestres por desativar. Nas áreas mais turísticas não há nada pelo qual temer, no entanto, se forem para zonas mais rurais, é bom levar um guia que saiba os caminhos seguros por onde caminhar, para não correrem riscos desnecessários. Não sair dos trilhos marcados é a decisão mais sensata!

Religião

As principais religiões do Camboja são o budismo e o hinduísmo.

Apesar de terem surgido as duas de forma simultânea, entre o século I e o século XIV, o hinduísmo prevalecia. No entanto, no século XIV houve uma viragem e o budismo tornou-se a religião oficial.

Durante o regime do Khmer Rouge muitos dos monges budistas do Camboja acabaram por ser mortos, mas no final dos anos 80, enquanto o país se reerguia, o budismo voltou a ser a religião predominante e hoje vêm-se dezenas de monges budistas pelo país.

Desde que aterrei no Camboja que via monges de todas as idades, desde crianças a idosos. Com o tempo descobri que se espera que todos os homens e rapazes budistas se tornem monges nem que seja por um curto período de tempo na sua vida. No entanto, muitos deles, hoje em dia, respeitam a tradição por apenas 15 dias, período esse que após findado, permite que retornem à sua vida habitual. Estima-se que o melhor período para um homem cumprir o seu dever momentâneo enquanto monge budista seja entre o término da escola e o começo da carreira ou da construção de casa.

monges budistas no palácio real do Camboja
Monges budistas junto ao Palácio Real de Phnom Penh

O Povo

A maior beleza do Camboja reside no seu povo. São pessoas que ainda não há muitos anos passaram por uma das maiores atrocidades que este mundo já viu, mas que ainda assim são capazes de manter no rosto um sorriso diário como parte da indumentária.

São pessoas que gostam de conversar, de conhecer os turistas e as suas histórias, tal como gostam de dar a conhecer as suas. Se tiverem oportunidade falem com eles e tentem ir mais além da primeira aparência porque a maior e melhor experiência de uma viagem não são os monumentos, mas sim as culturas e as histórias de vida.

Como resultado da pobreza que se experiencia no país vai ser fácil verem crianças a pedir ou a vender todo o tipo de coisas. Muitas das vezes estão ligadas a redes de tráfico ou de prostituição pelo que não é recomendável darem-lhes dinheiro. A melhor maneira de ajudar é darem-lhes algum material como comida ou roupa porque acreditem em mim quando digo que com o dinheiro, elas não farão nada e não usufruirão de nada. Servirão apenas como pombos correio para fazer chegar o dinheiro a qualquer outro lado.

mota com três pessoas no Camboja
Família inteira numa só mota.

A Comida

Apesar das comidas estranhas e exóticas serem mais associadas à Tailândia, também poderás encontrar pelo Camboja comida que não aceitarás como a comida mais “normal” e da qual poderás sentir alguma repulsa. Falo de tarântulas fritas, grilos assados, sapos em espetada ou cérebros de todo o animal e mais algum.

No entanto, a comida que mais se vê no dia-a-dia é comida bastante aceitável para aquilo que europeus e americanos estão habituados.  A maioria da comida é feita à base de arroz e também de peixe, fruto da sua localização junto ao rio e ao mar.

Alguns pratos típicos:

  • Kyteow: uma “sopa” de noodles de arroz, muito simples mas que existe com as maiores variações, para agradar a todos. Custa cerca de 5000 riéis nos mercados (~1 euro) ou 2 dólares nos restaurantes locais.
  • Samlor Machou Bunlay: sopa de peixe com ananás e picante que é muito popular! Tem cuidado porque quando uma comida é intitulada de “picante” podes contar que será verdadeiramente picante. Se não fores amante de comida muito condimentada podes sempre pedir “no spicy”, pois em muitos locais têm uma variação com nenhum, ou pelo menos, uma menor quantidade, de picante.
  • Amok: tens várias hipóteses de amok (de frango, vegetais, peixe e por aí fora). Eu provei “fish amok” e fiquei fã! Trata-se de peixe cozinhado em água de côco, chilli e outras especiarias que é servido com arroz. Sem dúvida o meu prato favorito do país!

Se fores fã de cerveja, ficas a saber que a cerveja nacional é a Angkor! Podes encontrá-la na Pub Street de Siem Reap por menos de 0,50€. 

fish amok
Fish Amok
cerveja angkor
Cerveja Angkor

Caso tenham dúvidas que não tenham sido respondidas por este ou por outro dos artigos que escrevi sobre o Camboja estejam à vontade que tentarei responder a tudo o que conseguir.

Boas Viagens!

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