Fitas de Finalista ao Vento
Daily Doctor

Este Maio também era Vosso

Faz um ano que as minhas fitas baloiçavam ao vento. E queridos finalistas de 2020, este Maio também era vosso. E com ou sem fitas a dançar no ar, continua a sê-lo.

Lembro-me que senti que ser finalista era um tanto ou quanto ingrato. Um agridoce. Uma faca de dois gumes. Ora te sentes agradecido e no auge da felicidade, ora sem chão, fruto da incerteza do que se vai seguir.

Diria que começamos por nos sentir agradecidos. Isto porque os tempos da faculdade são duros e muitas foram as vezes que duvidámos se chegaríamos ao fim. E são duros acima de tudo porque somos jovens e aliada à juventude vem a garra de não querermos deixar escapar oportunidades. Isto traduz-se num ritmo alucinante de convívios com amigos, festas aleatórias e por vezes nem tão desejadas assim, projetos incessantes e, o mais que óbvio, estudo. Sim, o estudo… Quantas vezes descurámos este componente da vida académica e damos por nós em vésperas de exame a tentar colar a cuspo aquilo que devia ter sido apoiado em cimento e betão durante todo um semestre. Por isto, os tempos da faculdade são duros, mas ao mesmo tempo são aclamados por tantos como os tempos áureos de uma vida. Desafiamos as leis da física e invertemos as probabilidades. Damos por nós a sentirmo-nos capazes do impossível. Mesmo que por vezes este sentimento de soberania venha intercalado com marés de dúvidas e crises existenciais.

Mas chegámos ao fim. Depois de 3, 4, 5 ou 6 anos na corda bamba, fomos capazes de não cair no abismo e chegar ao outro lado. Chegámos verdadeiramente ao fim. E quão gratos podemos estar por isso?

Mas depois cai também um sentimento ingrato de falta de chão. Até porque afinal, quem sabe com toda a certeza o que vem a seguir? Seremos igualmente felizes? Os amigos manter-se-ão ao nosso lado mesmo sem uma rotina de convívio diário? Não vamos celebrar mais o fim de cada exame nem ver em conjunto o que é o menu do almoço na cantina mais barata. Não vamos desesperar juntos quando os tempos apertarem nem vermos o Sol a nascer depois das maiores noitadas de festa ou de estudo. A vida vai mudar. E quem disser que não tem nem um bocadinho de medo do desconhecido provavelmente estará a mentir.

O certo é que as fitas pesam mais que a capa. E vê-las a baloiçar ao vento tem tanto de belo quanto de triste.

Fitas de Finalista ao Vento

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