bayon
Camboja

Siem Reap e os Magnânimos Templos de Angkor

Siem Reap é uma cidade jovial, segura, divertida, com uma excelente vida noturna, onde qualquer pessoa pode passar um tempo agradável simplesmente a conviver e a passear. Mas mais que tudo isto, Siem Reap é porta de entrada para os estonteantes templos de Angkor.

Não devo ser a única pessoa com esta opinião, mas durante a minha viagem pelo Camboja e Vietnam, o dia mais incrível de toda a viagem foi aquele em que visitei este complexo de templos (e acreditem que visitei muita coisa gira!). Não há palavras que possam descrever de forma justa o que sentem quando chegam de madrugada para ver o nascer do Sol e dão de caras com o incrível Angkor Wat (o templo principal) ainda de relance sobre o luar. Angkor Wat é o maior edifício religioso do mundo e quer seja sob o luar ou sob os raios de Sol, nunca palavras nenhumas lhe farão jus.

pub street em Siem Reap
Entrada na Pub Street de Siem Reap, um local cheio de bares e mercadinhos!
Angkor Night Market
Angkor Night Market
Ponte para o ANgkor Night Market
A ponte iluminada que dava entrada para a Pub Street e para o Angkor Night Market

Algumas Informações Úteis

Preço

A entrada no complexo custa 37 dólares (um dia), 62 dólares (três dias) ou 72 dólares (uma semana). No entanto, o passe de três dias e de uma semana não necessita de ser usado em dias consecutivos. O passe de três dias pode ser usado em três dias durante uma semana e o passe de uma semana pode ser usado durante um mês

Quantos dias ir

Eu vou-vos aqui confessar os meus dois maiores erros: só ter ido um dia e não ter levado guia. E estou-vos a avisar para que não cometam os mesmos erros que eu cometi. Na altura não encontrei grande informação útil sobre isto e daí estar a dar real foco a esta questão. O complexo de templos é simplesmente enorme e ver apenas os “mais famosos” (que são os que toda a gente acaba por ver quando só vai um dia) não faz justiça a todo o complexo. Há templos mais pequenos, absolutamente estonteantes, que acabam por estar desertos e se tornam cenários de filme (e que eu infelizmente só descobri ao partilhar experiências e conversas com outros viajantes que fui conhecendo pelo caminho).

Portanto, a minha maior e mais sincera sugestão é que vão dois dias (apesar de isso incluir ter de comprar o passe de três) e deixem um dia para os maiores e mais famosos templos e outro dia para os templos mais pequenos, perdidos pela selva, com uma magia especial.

O meu segundo grande conselho é que levem guia!! Há várias excursões organizadas, tanto para apenas um dia, como para dois. O complexo de templos de Angkor é de uma beleza inimaginável só por si. Mas tem tanta história, e lendas por detrás que é uma pena perder essa parte. Eu arrependi-me mesmo muito.

Como me deslocar dentro do complexo

O complexo de templos tem uma boa extensão de várias dezenas de km. É preciso arranjar forma de se deslocar lá dentro.

Várias sugestões:

1) Ir com uma excursão organizada, para um dia ou dois dias, que incluem uma carrinha de transporte. De longe a opção que mais recomendo!

2) Alugar um tuk tuk. Caso não queiram, de todo, ir numa excursão organizada, podem combinar com um senhor do tuk tuk (há dezenas deles, em todas as ruas, portanto é fácil) que vos vá buscar ao vosso alojamento de madrugada (de modo a poderem ver o nascer do Sol no Angkor Wat) e que vos acompanhe durante o dia. Os preços para este serviço rondam os 20 dólares para um dia e 35 dólares para dois dias (a dividir pelos ocupantes do tuk tuk). É provável que vos peçam mais de início, mas estes são os preços justos praticados. (Pequeno aparte: o senhor do tuk tuk com quem combinei não apareceu… Se não fosse a amabilidade de um polaco e dois húngaros hospedados no mesmo sítio que nós que não se importaram de nos levar com eles para o dia todo, os planos tinham-nos saído furados).

3) Alugar uma bicicleta. Esta pode ser uma boa opção para os mais desportistas e também corajosos! Mas requer preparação física pois ainda são uma quantidade considerável de km.

Circuitos

Há dois circuitos em Angkor: o pequeno e o grande circuito.

O pequeno circuito é constituído pelos templos principais e inclui geralmente o Angkor Wat, Bayon, Baphuon e Ta Prohm.

O grande circuito é composto por templos mais pequenos, escondidos na selva, mas como eu disse com uma beleza especial, incluindo templos como por exemplo o Banteay Srei.

Se forem dois dias, quer seja numa excursão organizada, quer seja através de tuk tuk, num dos dias levar-vos-ão pelo grande circuito e noutro dia mostrar-vos-ão os templos do pequeno.

Se forem apenas um dia, quer seja em excursão organizada, quem seja em tuk tuk, irão fazer apenas o pequeno circuito, composto pelos templos principais.

Vestuário

É importante levar roupa fresca pois o calor consegue ser insuportável no Camboja. No entanto, não se esqueçam que é um lugar religioso e como tal em muitos dos locais não são permitidos tops de alças, calções ou saias curtas.

A História dos Templos de Angkor

As centenas de templos que hoje sobrevivem são a marca deixada pelo império khmer, que em tempos foi um dos impérios mais poderosos do Sudeste Asiático. Angkor chegou a ser capital do Camboja, tendo albergado mais de um milhão de pessoas. Para entendermos este local é preciso conhecermos um pouco a sua história.

A construção deste império começou no reinado de Jayavarman II (802-850), com base numa impressionante produtividade do povo khmer, levado pelas suas crenças religiosas às divindades hindu. Foi o rei Suryavarman II (1112-1152) que pela devoção que tinha à divindade Hindu Vishnu, construiu o mais magnificente de todos os templos Angkorianos: o Angkor Wat. O reinado de Suryavarman II e a construção de Angkor Wat foi um dos maiores marcos da civilização Khmer.

Em 1177, Angkor sofreu o primeiro de vários ataques. Os Chams (um grupo étnico espalhado por vários países do Sudeste Asiático) saquearam Angkor. O ataque veio da água, e não pelas tradicionais rotas terrestres, o que apanhou os khmers completamente desprevenidos. Durante quatro anos destruíram e roubaram tanto quanto lhes foi possível, até que o rei Jayavaman VII (1181-1219) lutou contra eles, e conseguiu expulsá-los, reavendo Angkor novamente. O reinado de Jayavarman VII representou uma mudança radical na religião central do país, uma vez que durante séculos, as divindades na qual toda a fé era depositada era a divindade Hindu Shiva e a divindade Hindu Vishnu. Jayavarman VII considerou que a destruição de Angkor pelos Chams tinha sido de tal forma um golpe à divindade real que era necessária uma nova fundação religiosa e como tal adotou o budismo. Durante o seu reinado começaram a surgir assim estátuas e construções budistas, tendo sido o rei que mais construiu em Angkor. Não só templos (como o tão famoso Bayon), como estradas, escolas e hospitais.  Depois da sua morte, o império khmer entrou em declínio. A religião reverteu para o hinduísmo por mais um século, e muitas esculturas budistas foram vandalizadas e destruídas.

Em 1351, e depois em 1431, Angkor sofreu novos ataques, desta vez pelos tailandeses. Isto obrigou a que os khmers se movessem para Phnom Penh, atual capital do Camboja, deixando Angkor ao abandono. Foram os franceses que o redescobriram em 1860, na altura completamente engolido pela selva, tendo sido a Escola Francesa do Extremo Oriente a responsável pela limpeza e restauro de grande parte do local.

Os Templos Principais (Pequeno Circuito)

1) Angkor Wat

O Angkor Wat é onde reside o coração do Camboja. É a sua alma. É o maior orgulho dos khmers. E é um exemplo duradouro da devoção humana aos seus deuses.

Foi construído por Suryavarman II (1112-1152) sendo um dos monumentos mais magníficos alguma vez construídos pelo homem. É único e a sensação que temos ao andar na sua direção é absolutamente indescritível.

A sua construção consumiu o trabalho de 300.000 homens e 6.000 elefantes.

Há muitas características únicas em Angkor Wat. Uma delas é o facto de ser o único templo orientado em direção a Oeste. Simbolicamente, Oeste é a direção da morte, o que levou muitas pessoas a concluir que o Angkor Wat foi construído inicialmente com o intuito de servir como túmulo. Esta ideia foi suportada pelo facto de que os relevos esculpidos nas paredes do templo eram para ser lidos num sentido anti-horário, o que é também uma prática comum nos rituais funerários hindus. Assim, concluiu-se que Suryavarman II construiu Angkor Wat para servir como seu próprio túmulo. No entanto, ele nunca chegou a ser sepultado ali, tendo morrido em batalha.

O complexo central consiste em três andares sendo que o último nível chama-se Bakan. As escadas para aceder a este último nível são muito íngremes porque alcançar o reino dos Deuses não devia ser uma tarefa fácil.

angkor Wat no nascer do Sol
Nascer do Sol no Angkor Wat
lateral do Angkor Wat
Uma das laterais do Angkor Wat
Angkor Wat visto de trás
As traseiras de Angkor Wat
angkor wat
O Sol ainda a nascer por detrás do templo
escadas
As escadas íngremes que tivemos de subir para chegar ao último andar, Bakan

2) Angkor Thom

Angkor Thom é uma mini cidade dentro do grande cidade que é Angkor. Foi construída por Jayavarman VII (1181-1219) depois de ter reconquistado Angkor dos Chams. Tem templos muito icónicos como Bayon, Baphuon, o Terraço dos Elefantes e o Terraço do Rei Leproso. Esta cidade é ladeada por quatro portões, sendo o portão Sul o mais popular e mais bem preservado, tendo sido completamente restaurado. Muitas das cabeças dos Deuses e Demónios que levam ao portão (a grande maioria já cópias) mantêm-se no local. Os portões Este e Oeste são mais calmos embora estejam já muito mais degradados.

BAYON: Tem 54 torres, cada uma delas com 4 caras, perfazendo um total de 216 gigantescas faces sorridentes. A sua arquitetura é audaz e única e simboliza uma afirmação da mudança do Hinduísmo para o Budismo. Quando Angkor foi descoberta pelos franceses este templo estava envolto em selva densa e foi preciso algum tempo até se perceber que ele se situava exatamente no centro de Angkor Thom. Há ainda muito mistério associado a Bayon, desconhecendo-se a sua exata função e simbolismo, o que é apropriado tendo em conta a enigmática face sorridente que lhe é característica.

BAPHUON: Este templo é considerado um quebra-cabeças e necessitou de um trabalho minucioso para ser reconstruído e restaurado. No século XVI, um dos seus muros foi transformado num buda reclinado de 60 metros. Tinha sido contruído antes da edificação da cidade de Angkor Thom, sob o regime de Suryavarman I. Marcou o centro da capital que existia antes da construção de Angkor Thom.

portão Sul Angkor Thom
A ponte com Deuses e Demónios que dá até ao Portão Sul de Angkor Thom (visto ao fundo)
portão sul Angkor Thom
Portão Sul de Angkor Thom, o mais bem preservado dos quatro portões
estátuas
A maioria das estátuas de Deuses e Demónios que se encontram na ponte que vai dar ao portão Sul ainda se mantêm no local, sendo muitas delas réplicas
baphuon
Baphuon: a frente
Baphuon: o muro que foi transformado numa estátua de Buda reclinado
bayon
Bayon: o templo das 216 caras, mesmo no centro de Angkor Thom
bayon
Bayon: cada pilar tem 4 faces, uma virada para cada ponto cardeal principal
bayon
Bayon: o templo cuja imagem de marca é uma enigmática cara sorridente

3) Ta Prohm

Este templo foi construído em 1186 por Jayavarman VII, que o dedicou à sua mãe. O que o torna a grande atração que ele é, é o facto das suas torres e paredes terem sido “abraçadas” por um vasto conjunto de raízes de árvores que levaram a melhor perante a construção humana. Muitos dos corredores e pátios estão inclusivamente impassáveis, devido a ruínas ou à expansão das árvores. Tornou-se cenário para um dos filmes da Lara Croft, sendo por isso conhecido como o templo “Tomb Raider”.

A mais popular de todas as raízes ficou com a alcunha de “Crocodile Tree” e é o principal spot do templo para fotos de grupo. Antes era permitido escalar pelas raízes e pelas ruínas mas recentemente tornou-se proibido, tanto para a proteção dos visitantes como para a proteção do próprio templo.

Visitar Ta Prohm torna-se surreal. Enquanto que Angkor Wat nos revela a genialidade e o poder de construção dos antigos khmers, Ta Prohm relembra-nos o quão grande e poderosa também a selva é. No final, sem sombra de dúvidas que ganha a natureza.

ta prohm em ruínas
Ruínas de Ta Prohm
ruínas de ta prohm
Ruínas de Ta Prohm
crocodile tree
A "Crocodile Tree", a árvore mais famosa deste templo onde as pessoas fazem fila para tirar fotos de grupo

Lê mais sobre o Camboja aqui e tenta preparar-te para a tua viagem da melhor maneira possível! Alguma dúvida que não vejas respondida podes sempre entrar em contacto comigo que eu ajudarei tanto quanto conseguir.

Boas Viagens!

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